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MEIO AMBIENTE

Queimadas no Pantanal e estiagem causam preocupação no MT e MS

Rios estão com baixo nível devido a mais severa seca dos últimos anos

13 setembro 2020 - 08h40Por Martha Alves*

As paisagens no Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso vêm sendo alteradas com a  estiagem e os incêndios que há meses destroem o Pantanal. Os cursos d'água estão secando e as nuvens de fumaça encobrem a paisagem da região em meio a mais severa seca das últimas décadas.

No sábado (12), a cidade de Corumbá (MS) voltou a amanhecer encoberta por névoa e fuligem.  O rio Paraguai chegou a ficar invisível à distância e alguns pontos.

A régua fixada próximo à base da Marinha, em Ladário, também acusa que o nível da água do rio Paraguai está 9 centímetros abaixo de zero naquele local. É a situação mais crítica dos últimos cinco anos.  

No ano passado, o nível mínimo do rio Paraguai recuou 95 centímetros e nesse ano já está negativo, mas a situação ainda deve piorar, com recuo contínuo das águas até fim de outubro.

O gerente de Recursos Hídricos do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Leonardo Sampaio, apresentou, na sexta-feira (11), dados que sugerem que, em breve, os principais rios que cortam o território sul-mato-grossense atingirão os níveis mais baixos dos últimos cinco anos.

“Neste ano não houve cheia, ou seja, o rio não saiu de seu leito, o que geralmente ocorre nos meses de junho e julho. Nessa época o nível do rio Paraguai estava pouco acima de dois metros, agora já está negativo e vai continuar baixando. Isso restringe muito o uso do rio, sobretudo a navegação”, disse Sampaio.

Além do Rio Paraguai,  os rios Miranda, Aquidauana (ambos na bacia do Rio Paraguai), além do Pardo (na bacia do Rio Paraná), já sofrem com a escassez de chuvas. Eles devem continuar secando pelas próximas semanas.

Segundo o Centro  Estadual de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec/MS), não há expectativa de chuvas até pelo menos o próximo dia 19, quando pancadas d’água podem atingir parte do Estado, embora em proporções insuficientes para elevar o nível dos rios.

Incêndios

Os incêndios também ameaçam importantes sítios arqueológicos no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari, entre as cidades sul-mato-grossenses de Costa Rica e Alcinópolis.

Desde o início da última semana, oito bombeiros e voluntários tentam conter as chamas que, até quinta-feira (10), tinham destruído cerca de 8,9 mil hectares de vegetação típica do Cerrado. Do total destruído, 4,5 mil hectares estão  dentro do parque estadual, e pouco mais de 4 mil em propriedades rurais vizinhas à unidade de conservação administrada pelo Imasul.

“Este incêndio começou no último domingo[6}, no estado do Mato Grosso, no município de Alto Taquari, e adentrou nosso Estado pelo município de Alcinópolis”, explicou o diretor-presidente do Imasul, André Borges, em um vídeo divulgado nas redes sociais. O estado solicitou o apoio do Exército.

Mato Grosso

Baía dos Malheiros

A navegabilidade e o abastecimento hídrico preocupa também os moradores de Mato Grosso. Em Cáceres (MT), a prefeitura divulgou, no sábado (12), em suas redes sociais, uma foto da Baía dos Malheiros, ou Baía de Daveron, cujas águas se fundem às do Rio Paraguai.

Na curta mensagem, a prefeitura alertou os donos de embarcações para o risco do rio secar nos próximos dias, bloqueando a ligação com o Rio Paraguai e deixando encalhados os barcos que não tiverem deixado o local.

Também em Cáceres, as chamas destruíram, nesta sexta-feira (11), um prédio desativado do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e mataram, na quarta-feira (9), o zootecnista Luciano da Silva Beijo, 36 anos. Segundo a Associação Brasileira de Zootecnistas, Beijo foi atingido enquanto tentava conter o avanço do fogo na fazenda onde trabalhava e teve quase 100% do corpo queimado.

Na Serra do Parecis, a cerca de 242 quilômetros da capital, Cuiabá, há quase uma semana bombeiros tentam apagar um incêndio de grandes proporções. Nem o apoio de produtores rurais e de moradores da região tem sido suficiente para impedir que as chamas se espalhem rapidamente pela vegetação seca, em meio a áreas de difícil acesso.

A fumaça, o calor e a baixa umidade exigem que a população redobre os cuidados com a saúde. Especialistas recomendam que as pessoas bebam bastante água, deem preferência a alimentos saudáveis, pouco gordurosos, lavem narinas e olhos com soro fisiológico, utilizem umidificadores se necessário e evitem atividades físicas durante as horas mais quentes do dia.

*Informações da AE